Cap. 13CONFLITO, FRUSTRAO E AJUSTAMENTO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Aps estudar o presente captulo voc dever ser capaz de:
 conceituar conflito e exemplificar cada um dos trs tipos de conflito;
 apontar as principais fontes de frustraes e explicar as respostas mais comuns  
frustrao;
 distinguir medo de ansiedade;
 apontar 4 situaes que geralmente provocam muita ansiedade;
 dissertar brevemente sobre a funo dos mecanismos de defesa;
 exemplificar os principais mecanismos de defesa;
 caracterizar a personalidade normal ou ajustada.
INTRODUO
A personalidade,  medida que se desenvolve, enfrenta uma srie de problemas e situaes 
novas s quais se deve adaptar ou com as quais deve conviver. Estes problemas geram 
estados psicolgicos conhecidos com o nome de conflitos, frustraes e ansiedades.
Alguns imaginam que a diferena entre a pessoa normal e a anormal reside no fato de que 
as primeiras no tm os problemas citados acima, enquanto as ltimas, sim. Isso, contudo 
no  verdade. Os conflitos, as frustraes e as ansiedades esto presentes na vida de todo e 
qualquer ser humano. At determinado grau, esses problemas so inerentes  vida e 
indicam at normalidade. Independentemente de quem somos e da quantidade e qualidade 
de nossas energias psquicas, haver sempre motivos no satisfeitos, barreiras a superar, 
escolhas a fazer, adiamentos a tolerar e objetos e situaes a temer. Ajustamento designa 
precisamente a tarefa realizada pela personalidade para superar esses problemas e/ou 
conviver com os mesmos.
CONFLITO
Estamos diante de um conflito quanto h dois motivos incompatveis querendo assumir a 
direo de nosso comportamento. Denomina-se conflito o estado psicolgico decorrente da 
situao em que a pessoa  motivada, ao mesmo tempo, para dois comportamentos 
incompatveis. Se a pessoa pudesse atender aos dois motivos, no haveria conflito. O 
conflito nasce precisamente da necessidade de se fazer uma escolha, uma opo. A 
satisfao de um motivo leva automaticamente ao bloqueio e frustrao do outro. Kurt 
Lewin define conflito como sendo o resultado da oposio de duas foras igualmente fortes.
Na vida real, os conflitos experimentados so muito complexos, podendo envolver um, 
dois, trs ou mais motivos-meta ao mesmo tempo. Porm, geralmente se classifica os 
conflitos em trs tipos bsicos: aproximao  aproximao, afastamento  afastamento e 
aproximao  afastamento.
Conflito aproximao  aproximao, ocorre quando o indivduo se sente motivado ao 
mesmo tempo para duas metas positivas que se excluem mutuamente. Exemplos: o jovem 
que precisa optar entre duas carreiras universitrias, igualmente atraentes. O recm 
graduado a quem se oferece dois empregos bons. Em geral este tipo de conflito se resolve, 
aps determinado perodo de indeciso. A deciso pode ser mais ou menos dolorosa, 
dependendo da importncia do assunto sobre o qual se deve tomar a deciso.
O conflito afastamento  afastamento, resulta da ocorrncia de duas alternativas 
indesejveis. Exemplo: o adolescente deseja sair da casa dos pais, pois o ambiente lhe 
parece por demais repressivo, mas no tem condies de enfrentar as exigncias financeiras 
da deciso. Seria fcil resolver o impasse e no haveria conflito se ambas as alternativas 
pudessem ser abandonadas, mas as circunstncias obrigam o indivduo a uma deciso, uma 
escolha, nascendo ento a tenso, a ansiedade e a frustrao.
O conflito aproximao  afastamento envolve um mesmo objeto para o qual nos sentimos 
ao mesmo tempo atrados e repelidos. O objeto  desejado e indesejado. A situao contm 
elementos positivos e negativos. Nasce, ento, a ambivalncia. Este conflito poderia ser 
exemplificado pelo adolescente tmido que quereria declarar seu amor, mas tem medo da 
rejeio e do ridculo. Ele planeja cuidadosamente o encontro com a pessoa amada, prepara 
palavra por palavra tudo o que vai dizer. Almeja ardentemente estar junto ao seu amor. 
Mas,  medida que os minutos passam e se aproxima o momento to decisivo, cresce a 
ansiedade, ele transpira, treme, as palavras parecem lhe fugir...
O conflito aproximao  afastamento  o mais freqente. Quando o conflito  do tipo 
aproximao-aproximao, embora haja a indeciso, a escolha  sempre mais fcil. A 
alternativa no escolhida, enfim, poder repetir-se no futuro. A situao  algo mais 
complexa nos conflitos afastamento  afastamento. Contudo, aqui tambm h uma vlvula 
de escape: adiar um pouco a deciso na esperana de que o tempo resolva o enigma. Pode 
tambm o indivduo deixar que as coisas aconteam.
Nos conflitos aproximao  afastamento,  medida que o sujeito se aproxima do objeto, a 
fora de atrao passa a crescer num ritmo menos intenso e a fora de repulso cresce num 
ritmo mais intenso. Esta fora de atrao e repulso  comumente conhecida com o nome 
de gradiente de aproximao e gradiente de afastamento, respectivamente.
Muitos conflitos aproximao -- afastamento se apresentam no dia a dia do homem 
contemporneo, mas h trs situaes que, pela sua freqncia e gravidade, merecem 
meno especial. A primeira  a independncia e a dependncia. De um lado aprendemos 
que devemos ser responsveis e resolver nossos prprios problemas, mas s vezes nos 
sentimos bem, quando outros assumem a responsabilidade por ns, enquanto voltamos a 
ser crianas.
A segunda  a situao de cooperao e competio. A sociedade nos pede cooperao, 
unio, trabalho de equipe cooperativo. Mas h muitas ocasies em que a mesma sociedade 
nos incentiva para a competio.
A terceira situao  a marcada, de um lado, pelo incentivo  liberao dos impulsos, 
particularmente os ligados  agresso e ao sexo, enquanto se pede tambm o controle dos 
mesmos.
FRUSTRAO
Fala-se muito em frustrao. s vezes, quando queremos nos referir a algum 
pejorativamente, dizemos que  um frustrado. Mas o que significa frustrao? Entende-se 
por frustrao o estado emocional que acompanha a interrupo de um comportamento 
motivado. Outros preferem no fazer meno a estados internos definindo frustrao como 
a pura e simples interrupo no curso de um comportamento.
Do exposto, deduzimos que todos sofrem frustraes e, neste sentido, somos todos 
frustrados. Ningum pode evitar por completo as frustraes uma vez que nem todas as 
nossas necessidades e desejos so satisfeitos. A sade mental no depende de enfrentarmos 
ou no enfrentarmos frustraes. Depende sim, da forma como as enfrentamos. A 
quantidade de frustraes tambm parece ser significativa: tanto a ausncia de frustraes 
(superproteo) como o excesso, so desaconselhados.
Donde provem as frustraes? As fontes so muitas. H obstculos internos e externos, 
limitaes provenientes de situaes ambientais e pessoais. Algum pode sentir-se 
frustrado por causa da chuva que prejudicou suas frias na praia ou no campo. Mais grave 
seria a frustrao causada pelo incndio que destruiu a casa, pela morte que levou o ente 
querido. No caso da chuva, certamente haver outras oportunidades de frias, mas ser 
impossvel recuperar a pessoa amada que morreu.
Os meios de comunicao, especialmente a propaganda, ajudam a criar frustraes na 
medida em que apresentam modelos fisicamente muito superiores  mdia geral, difceis de 
serem imitados quer no aspecto fsico, quer no status scio econmico de que desfrutam, 
privilgio de uma minoria. Estudos revelam que a maioria dos jovens e adultos est hoje 
muito mais descontente com seu tipo fsico do que estavam h alguns anos. A maioria 
gostaria de ser, ou mais alto, ou mais magro, ou mais forte, ou mais inteligente... e todos 
gostariam de ser fisicamente mais atraentes.
As frustraes mais dolorosas provm das limitaes estritamente pessoais, especialmente 
as que tm implicaes sociais como a reprovao num vestibular, a perda do emprego por 
desempenho inadequado, o fracasso amoroso. Nestes casos  mais difcil descarregar a 
responsabilidade nos outros ou nas circunstncias. Estas situaes acabam atingindo 
duramente o auto conceito, provocando sentimentos de inadequao e inferioridade. Elas se 
agravam significativamente quando o indivduo no sabe avaliar suas qualidades e defeitos, 
no tem uma viso real de sua personalidade e acaba estabelecendo metas irreais que 
fatalmente nunca sero atingidas. H tambm os que estabelecem seus objetivos muito 
aqum de suas possibilidades e passam a vida inteira se lamentando de sua situao.
Telford e Sawrey admitem trs situaes bsicas que desencadeiam as frustraes. As 
frustraes podem ser provocadas por demora, por entrave e por conflito. Como os 
conflitos j foram abordados, passemos s demais situaes. A frustrao por demora 
ocorre quando o objetivo ou meta (reforo) s poder ser atingido, decorrido determinado 
tempo. O indivduo tem que esperar, adiar o esperado reforo por tempo determinado ou 
indeterminado. A frustrao por entrave existe quando se impede ou interrompe o curso do 
comportamento. O entrave pode decorrer de caractersticas pessoais de ordem fsica, 
intelectual ou psquica. Outras vezes ele advm de situaes sociais (leis, regulamentos, 
normas sociais, etiquetas, rituais) ou do comportamento dos outros que nem sempre 
colaboram para atingirmos nossos objetivos e nos realizarmos.
O que fazemos, quando frustrados? Como reagimos? Quais as respostas s frustraes? 
Uma das primeiras respostas  frustrao  a inquietao. A pessoa comea a movimentar-
se mais, anda de um lado pa ra outro, fuma e conversa mais do que o normal, ri as unhas...
A agresso sempre foi tida como uma conseqncia da frustrao. Muitos chegaram a 
defender uma relao direta entre frustrao e agresso: frustrao, sempre gera agresso e 
agresso, sempre tem como causa a frustrao. Quanto mais frustrado estiver o indivduo, 
mais agressivo ele ser.
Hoje se admite que a frustrao possa gerar agresso, mas se sabe que h outras respostas 
possveis. Sabe-se tambm que a agresso pode provir de uma fisiologia peculiar ou da 
aprendizagem (imitao). Em outras palavras, estamos afirmando que algum pode ser 
agressivo, sem ter sido frustrado.
A agresso decorrente da frustrao pode ser direta ou deslocada. Ela ser direta, quando 
dirigida ao objeto causador da frustrao. Exemplo: a criana que agride o colega porque 
este lhe tomou das mos o brinquedo.
Diz-se que a agresso  deslocada quando dirigida  pessoa ou objeto que nada tem a ver 
com a frustrao. Algum ou algo vira bode expiatrio. O funcionrio cansado ou 
humilhado pelo seu chefe no pode agredi-lo, pois correria o risco de perder o emprego, 
mas ao chegar em casa pode agredir a esposa ou os filhos.
Por mais estranho que possa parecer, a pessoa frustrada pode responder com apatia. Esta 
situao mostra como duas pessoas, ou a mesma pessoa em situaes diferentes, podem 
responder ao mesmo estmulo de formas diversas e at contrrias. Assim algum frustrado 
pode demonstrar inquietao, agredir ou ficar aptico. Por qu? Parece ser uma questo de 
aprendizagem. Aprendemos a responder desta ou daquela maneira. A tendncia geral, 
diante da frustrao  reagir e resistir. Quando; porm, as esperanas de soluo 
desaparecem a apatia pode instalar-se. Esta reao foi, repetidas vezes, observada entre os 
prisioneiros de guerra, entre os capturados como refns e os retidos em campos de 
concentrao. Homens cheios de energia e inteligncia, ativos e criativos, nestas 
circunstncias se tornaram to apticos que se recusavam a fazer qualquer coisa, mesmo 
alimentar-se.
H ocasies em que diante de problemas passamos a sonhar acordados.  o recurso  
fantasia. A jovem, ao findar mais uma esperana de casamento, passa a sonhar com o 
prncipe encantado. O jovem tmido pode imaginar-se um gal conquistador.
A estereotipia, outra das possveis respostas  frustrao, Consiste na exibio de um 
padro de comportamento fixo, e repetitivo. Alguns chupam o dedo, outros coam a 
cabea, outros tamborilam com os dedos. A estereotipia pode apresentar-se verbalmente 
com palavras ou expresses que so repetidas constantemente.
Outros h que diante da frustrao, exibem a regresso, que consiste em adotar um 
comportamento mais primitivo, prprio de um estgio anterior de desenvolvimento. O 
primeiro filho pode comear a molhar a cama (enurese) por ocasio do nascimento do 
irmozinho.
ANSIEDADE
Ansiedade  um estado psquico muito semelhante ao medo. Este, caracteriza-se por ser 
uma reao de defesa do organismo diante de um perigo real. O medo  a reao do 
organismo que busca manter sua integridade fsica ou psquica. J a ansiedade  um medo 
vago, sem fundamento lgico, irracional ou desproporcional ao objeto causador. A 
ansiedade  um estado afetivo, caracterizado por sentimento de apreenso, inquietude e mal 
estar difusos. Pode ser tambm sensao de impotncia para fazer algo ou tudo. As pessoas 
tomadas pela ansiedade, com freqncia sentem medo de um perigo vago e desconhecido, 
mas para elas inevitvel.
A ansiedade  um sinal de alarme dirigido ao EU. Serve para advertir a presena de um 
perigo, de um impulso ou idia inadmissveis, para que o EU possa responder com medidas 
adequadas ou mobilizar suas defesas.
A ansiedade no  propriamente um fenmeno patolgico, mas algo inerente  condio 
humana. At um determinado ponto, a ansiedade  sinal de vitalidade e serve para despertar 
e motivar o organismo. Sua funo  til para a sobrevivncia, j que pe o organismo de 
sobreaviso quando aparece algo ameaador para a estabilidade e integridade emocional do 
sujeito.
A origem da ansiedade pode estar em circunstncias externas como a enfermidade, a dor 
pela morte de algum. Estados emocionais como o medo, vergonha e ridculo, derivados da 
experincia cotidiana, tambm provocam ansiedade. Conflitos e frustraes podem ser 
fonte de ansiedade. Porm as principais causas da ansiedade so os impulsos, tendncias ou 
desejos que surgem dentro do sujeito e que este considera inadmissveis e no pode manejar 
por serem perigosos ou ameaadores para suas prprias normas morais. Geralmente so 
impulsos relacionados  sexualidade e  agressividade.
Para Sullivan a ansiedade  o medo da insegurana. Este medo teria suas origens na 
infncia e pode provir de privaes e negligncias afetivas. A ansiedade  o medo do 
isolamento, da solido e da falta de afeto.
Alguns consideram os sentimentos de culpa a principal fonte de ansiedade. Esses 
sentimentos de culpa brotariam de atos, impulsos e sentimentos considerados imorais.
Para os existencialistas a ansiedade nasce da constatao da inevitabilidade da morte e da 
constatao de tantas possibilidades no realizadas.
MECANISMOS DE DEFESA
J vimos que o indivduo frustrado pode reagir com inquietao agresso, apatia, fantasia, 
estereotipia e regresso. Mas h outras formas de se tentar resolver os problemas ligados 
aos conflitos, frustraes e ansiedades. So os mecanismos de defesa. So assim chamados, 
porque visam proteger a auto-estima do indivduo e eliminar o excesso de tenso e 
ansiedade.
Os mecanismos de defesa do ego, na denominao de Freud, so recursos ardilosos pelos 
quais o EU se defende dos perigos instintivos e das emoes violentas (impulsos 
inconscientes) que ameaam o seu equilbrio. Graas aos mecanismos de defesa, 
conseguimos manter o equilbrio entre os conflitos internos e o ego. Quando estes 
mecanismos no so, por qualquer motivo, adequados para diminuir a angstia ou a 
ansiedade, podem ocorrer transformaes violentas no comportamento.
A principal funo dos mecanismos de defesa  ajudar-nos a manter a ansiedade e a tenso 
em nveis que no sejam to dolorosos para ns. Os mecanismos no resolvem os 
problemas criados pela ansiedade, mas nos do a possibilidade de nos sentir melhor, 
mesmo que seja apenas momentaneamente. Evitam o desgaste advindo pelo grande 
aumento de tenso intrapsquica causado pela situao de frustrao e conflito. Portanto, 
eles so benficos, porque favorecem o auto-respeito e evitam o stress psquico. Nesse 
sentido, o indivduo sentir-se- protegido das ameaas advindas da situao de conflito e 
ter recursos para suportar por mais tempo essa situao, por um perodo suficiente para 
armazenar informaes e detectar comportamentos indispensveis a um ajustamento mais 
realista e eficiente.
A utilizao muito intensa, prolongada e inconsciente dos mecanismos de defesa pode ser 
funesta ao ajustamento pessoal, afastando o indivduo da realidade objetiva e impedindo-o 
de enfrentar produtivamente o problema, apresentando-se como cego diante de outros 
recursos do mundo objetivo e subjetivo de que poderia lanar mo.
Segundo Freud os mecanismos de defesa so inconscientes.
Alguns dos principais mecanismos de defesa so:
1. A racionalizao que consiste em justificar de forma mais ou menos lgica, e se possvel 
tica, a prpria conduta. A racionalizao  uma autojustificao de aparncia lgica, mas 
na realidade inverdica. Muito conhecida  a fbula da raposa que, no alcanando as uvas 
que desejava, se afastou dizendo: esto verdes, nem ces as podem tragar. O poltico que 
perde a eleio e depois diz: Foi melhor assim, porque vou poder dedicar-me mais aos 
meus clientes e  minha famlia. A pessoa que esperava ganhar na loteria e que ao conferir 
o bilhete v que no foi premiada, d de ombros e comenta: foi at bom, muito dinheiro 
estraga a vida da gente.
Reconhecer nossa irracionalidade, ainda quando nos  incmoda, ajuda a super-la. Nem a 
conduta nem os impulsos das pessoas so sempre racionais.
2. A projeo  um mecanismo que consiste em atribuir a outros as idias e tendncias que 
o sujeito no pode admitir como suas. Sem que percebamos, muitas vezes, vemos nos 
outros defeitos que nos so prprios. Pensamentos e sentimentos na realidade nossos, so 
atribudos a pessoas que nos cercam. Podem servir de exemplos de projeo: O aluno que 
se sente frustrado pela reprovao nos exames, pe-se a dizer que o professor  incapaz. O 
marido infiel que desconfia da esposa.
3. Formao de reao ou formao reativa. Aqui os impulsos e as emoes censuradas 
como imprprias assumem uma forma de expresso contrria, aceitvel para o ego ou 
consciente. Serve de exemplo  me que inconscientemente no desejou o filho, 
considerando-o um estorvo, agora se desdobra em cuidados de toda ordem para representar 
a seus prprios olhos o papel de me perfeita.
4. Represso. Este mecanismo de defesa parece fundamentar todos os outros. Representa 
um esforo para retirar do consciente os pensamentos, sentimentos, memrias e fantasias 
que forem dolorosos ou ameaadores. Vivncias que provocam sentimentos de culpa so 
esquecidas. Muitos casos de amnsia (excludas as causas orgnicas) podem ser explicados 
atravs deste mecanismo de defesa: esquecemos o que  desagradvel.
5. Substituio. O mecanismo de substituio pode apresentar-se sob duas formas: a 
sublimao e a compensao.
Sublimao  o processo atravs do qual motivos inaceitveis se expressam de forma 
socialmente aceitvel. Assim impulsos hostis podem ser expressos atravs da prtica de 
esportes violentos como o box.
Compensao consiste num esforo extraordinrio realizado pelo indivduo para ser bem 
sucedido numa determinada rea. Este esforo visa compensar uma fraqueza ou fracasso 
em outra rea da personalidade. O adolescente, sentindo-se inadequado para a prtica de 
esportes pode realizar um esforo muito grande para ser reconhecido e admirado pelo seu 
sucesso nos estudos.
Alfred Adler deu grande importncia a esse mecanismo, no desenvolvimento da 
personalidade: todo o comportamento humano, todo o esforo humano, seria uma 
permanente luta para superar nossos fracassos e para nos superarmos a ns mesmos.
6. Identificao. Atravs deste mecanismo o indivduo busca segurana e o fortalecimento 
do eu associando-se psicologicamente com outra pessoa que goza de prestgio e autoridade. 
Embora esse mecanismo possa ser utilizado por qualquer indivduo em qualquer idade, ele 
 particularmente freqente na infncia e adolescncia. Os adolescentes facilmente se 
apegam a modelos apresentados pela televiso. Adultos fazem questo de mencionar seu 
parentesco ou relao de amizade com pessoas ilustres.
AJUSTAMENTO
Por que alguns conseguem ser ajustados e outros no? Depende bastante da correta 
utilizao dos vrios mecanismos que nos auxiliam na soluo de problemas psquicos. A 
vida de cada um ter certamente muitos conflitos, frustraes e ansiedades, O homem tem 
que usar todas as suas faculdades para enfrentar, superar ou conviver com os problemas.
Por que no conseguimos resolver nossos problemas pelo uso da razo? Embora nossos 
problemas pessoais sejam muito semelhantes a qualquer outro problema, h algumas 
diferenas. Primeiramente, quando se trata de assuntos pessoais o envolvimento emocional 
nos rouba a objetividade. Em segundo lugar h muitos aspectos inconscientes em nosso 
comportamento. H, conseqentemente, muitos dados desconhecidos por ns mesmos.
Os mecanismos de defesa podem ajudar no ajustamento porque:
1 - Atravs de seu uso diminui a tenso e assim se evita que os problemas nos faam 
sossobrar.
2  Os mecanismos de defesa nos possibilitam novas experincias que podero nos 
ensinar novas formas de ajustamento.
3  Os mecanismos podem nos ajudar a descobrir as verdadeiras causas de nosso 
comportamento.
4  Muitas das atividades em que nos engajamos atravs dos mecanismos de defesa, so 
atividades construtivas e teis (compensao).
Quando algum pode ser considerado ajustado? No  fcil dizer se algum  ou no 
ajustado. Tudo depende do conceito que temos de ajustamento e dos critrios utilizados. E 
os conceitos e critrios variam bastante do lugar e da poca.
Para alguns, normal e ajustado significa a mesma coisa. Outros fazem uma distino, 
afirmando que ajustado  o que se adapta com facilidade aos padres da sociedade, o que 
no implica necessariamente em ser normal e saudvel, realizado e feliz. O indivduo 
estaria desempenhando papis, fazendo o que os outros esperam que ele faa, mas no 
necessariamente fazendo aquilo que o torna mais feliz.
Perls acredita que a pessoa  feliz, saudvel e criativa  medida em que vive o momento 
presente. No gasta suas energias para lamentar o passado, nem para preocupar-se com o 
futuro.
Abraham Maslow, que dedicou a vida inteira ao estudo da personalidade normal e ajustada, 
props que o indivduo com sade mental caracterizar-se-ia por ser mais espontneo e 
comunicativo. Menos bloqueado, menos crtico de si mesmo, mais aberto e honesto, mais 
facilmente expressa seus pensamentos e opinies sem medo do ridculo.  intelectualmente 
flexvel. No teme o mistrio e o desconhecido, ao contrrio  atrado para ele. Conserva 
caractersticas prprias da criana como a vivacidade e inocncia, o que, juntamente com 
uma inteligncia adulta, torna-o pessoa muito especial.
A personalidade ajustada  a que se adapta confortavelmente a sua sociedade. Isto no 
significa necessariamente que seja uma pessoa saudvel e feliz. Pessoas saudveis so as 
que se mantm em contato com o seu EU real, totalmente conscientes dos valores, 
necessidades, sentimentos e compromissos a que se ajustam. Pessoas saudveis esto 
centradas no presente, so independentes e abertas, demonstram alguma forma de 
criatividade intelectual, so intelectualmente flexveis e so algo aventureiros e espontneos 
e emocionalmente comunicativos (Malinda Jo Levin, 1978, p. 489).
Hilgard, Atkinson no fazem distino entre personalidade ajustada e personalidade 
normal. A pessoa bem ajustada enfrenta conflitos, mas no  demasiadamente perturbada 
pelos mesmos. Enfrenta seus problemas de forma realista; aceita o inevitvel; compreende 
e aceita suas limitaes e as limitaes daqueles com quem tem que conviver. A pessoa 
bem ajustada no  necessariamente um conformista social. A pessoa sadia e bem ajustada 
 tambm produtiva e capaz de desenvolver relaes com outras pessoas o que lhe traz 
satisfao.  sensvel s necessidades e sentimentos dos outros, no  muito exigente na 
satisfao de suas prprias necessidades e  capaz de dar e receber afeio. ( Hilgard, 
Atkinson e Atkinson, 1971, p. 465-6).
Podemos dizer que a pessoa normal manifesta comportamentos que se caracterizam por:
1. Manuteno de boa sade fsica;
2. conhecimento o mais amplo possvel e aceitao de si mesmo;
3. conhecimento e aceitao dos outros;
4. relacionamento de confiana com outras pessoas;
5. participao social e efetiva;
6. ocupao profissional realizadora e criativa.
QUESTES
1.  possvel evitar por completo os conflitos, as frustraes e as ansiedades? Por que?
2. O que  um conflito?
3. Quais os principais tipos de conflito? Exemplifique cada um deles.
4. Cite trs situaes particularmente conflitivas para o homem contemporneo.
5. Que  frustrao e quais as principais fontes de frustrao?
6. Como o ser humano reage, quando frustrado?
7. O que  ansiedade e qual sua origem?
8. Qual o papel dos mecanismos de defesa?
9. D um exemplo para cada um dos principais mecanismos de defesa.
10. Como se caracteriza uma pessoa ajustada ou normal?
